sexta-feira, 5 de março de 2010

Up: vendo o mundo lá de cima




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Domingo, dia 7 de março, acontece a entrega do Oscar. Houve um tempo em que eu era viciada em premiações, mas acontece que um dia percebemos que elas podem sim ser importantes, mas mais importante que pessoas entendidas da sétima arte elegendo o que eles consideram o melhore é quando descobrimos sozinhos os tipos de filmes, diretores e atores que mais gostamos, e montamos nossa lista particular de “e o vencedor é...”.
E é dessa lista particular que destaco o filme Up, Altas Aventuras, concorrente nas categorias de Melhor Filme, Melhor Animação, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição de Som (respiro!). Eu adicionaria mais uma categoria para esse filme: Melhor Inspiração para a Vida em Forma de Desenho.

Dug - Meu nome é Dug. Eu acabei de te conhecer e eu te amo.
Russel – Ah, podemos ficar com ele? Por favor, por favor, por favor?
Carl – Não.
Russel – Não? Mas é um CACHORRO FALANTE!

A animação entra logo após Wall-E como mais uma produção genial da Pixar, ótima para ser assistida por crianças-grandes. Além da qualidade técnica, o roteiro é tão original que faz tremer qualquer empresário que no final paga as contas das mentes brilhantes que produzem o filme. Imagine alguém vendendo a ideia para um longa infantil com um protagonista velhinho, feio e rabugento, que decide sair voando com balões amarrados em sua casa para fugir de tudo e de todos.
A história começa quando Carl conhece, ainda na infância, Ellie, uma menininha falante e com alma de aventureira. Eles planejam explorar lugares e viajar para a América do Sul, fazendo a mesma trilha do grande Charles Muntz até às Cataratas do Paraíso.
Os dois crescem juntos, se apaixonam, se casam, compram uma casa, um carro, tentam ter um bebê, e assim seguem a vida, como a maioria das pessoas comuns. E os sonhos da infância vão ficando cada vez mais distantes. Adiados por causa dos percalços da vida, que acontecem sem dar aviso prévio.
Até o dia que o tempo passa e leva junto com ele a amada de Carl.

Obrigada pela aventura. Agora vá e tenha uma só sua (Ellie)

Carl se torna um velhinho solitário e triste, que se apega a sua velha casa como memória permanente da vida que teve. Até o dia que, empurrado pelo destino, ele precisa deixar seu lar e para escapar disso ele enche milhares de balões coloridos com gás hélio até sair voando por ai e viver aventuras dignas de um adolescente - na companhia de Russel, um escoteiro intrometido que entrou de gaiato na viagem.
Enquanto isso, em uma poltrona não muito distante, está o espectador dessa obra de arte, que sente os pés saindo do chão enquanto os balões coloridos alçam voo.
A viagem é inenarrável. O anti-herói da história quase não fala, se irrita diversas vezes com o menino (que esse sim fala e muito!) e sofre constantemente ao lembrar-se de um futuro que não existiu ao lado da mulher que amou.
Ok que ainda não tenho os quase 80 anos do protagonista, mas não é preciso ir tão longe para pensar na quantidade de sonhos que vão sendo engavetados por causa dos caminhos que a vida nos leva a seguir. “E se em vez de ter feito tal faculdade eu tivesse me casado e tido filhos? Ou, e se, em vez de ter entrado em um financiamento eterno de uma casa eu tivesse colocado uma mochila nas costas e ido para um walkabout na Ásia?”. Perguntas como essas são freqüentes e as respostas são escassas. Nunca saberemos se teríamos ou não sido mais felizes por um caminho em vez de outro, a não ser que arrisquemos segui-lo para comprovar. O empirismo está ai exatamente pra isso, viver é a maneira mais fácil de descobrir se vai dar certo ou não.

Às vezes, as coisas chatas são as que eu lembro mais. (Russel)

A jornada é sempre mais importante que o destino, na verdade, creio que o destino é uma conseqüência direta da jornada. E em Up a ideia central não é fazer com que as pessoas se arrependam da vida que tem, mas sim mostrar que nunca é tarde para fazer o que o coração sempre quis.
E aproveito para reproduzir uma fala do personagem Mr Eko, da série Lost: “Eu não pedi pela vida que me foi dada, mas assim foi, e com ela eu fiz o meu melhor”.

2 comentários:

  1. Uia, teve até quote do Mr. Eko! hahaha

    Eu sou apaixonado pela Pixar, acho incrível como eles nunca erram. O único que eu acho mais ou menos é Carros, e foi justamente um dos que mais faturaram. Talvez por ser o mais infantil, não sei. Inclusive vem o 2 por aí, vamos torcer pra que eles façam melhor.

    Outra paixão minha é dublagem. Acho os dubladores brasileiros incríveis e sempre fico chateado quando colocam algum "global" pra dublar. Aí que vemos quem é bom de verdade. Ainda bem que existem exceções para comprovar a regra. Selton Mello é um dublador excelente, até porque ele foi dublador full time na adolescência. Em "A nova onda do imperador" ele arrasa, assim como o Humberto Martins. "Dinossauros", da Disney, é o oposto. Fábio Assunção, Malu Madder, Hebe... Cristo, é a pior dublagem que eu já vi. Tudo isso pra falar do Chico Anysio, que dubla o Carl. Fiquei emocionado com a interpretação dele, ficou lindo. Aliás, eu tenho uma teoria de que os comediantes são os melhores atores dramáticos... bom, mas o comentário já está grande demais, isso fica pra outro dia.

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  2. Jose Augusto Martini Costa31 de janeiro de 2012 22:17

    Adorei :)

    Parabéns pela resenha, e obrigado por alegrar minha noite.

    bjs

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