sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mochila cheia



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Se Ryan, personagem de George Clooney no filme Amor sem Escalas, fosse brasileiro, sua canção favorita seria a de Marisa Monte que diz: “Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? Vivo tranqüilo, a liberdade é quem me faz carinho”.
Isso porque no longa do diretor Jason Reitman (o mesmo de Juno), o protagonista ama algo que a maioria das pessoas odeia: ficar sozinho. E, para isso, ele faz tudo que pode para não criar laços, e também foge dos que são impossíveis não ter - como família e emprego - viajando o tempo todo e sem possuir mais bens materiais do que uma boa mala com rodinhas com o básico para viver.
Sua missão nessas viagens é realizar o estranho trabalho de demitir pessoas em empresas falidas ou para quem não tem coragem de fazer o trabalho sujo. Além disso, Ryan dá palestras motivacionais com o mote “pense que sua vida é uma mochila cheia de pessoas e coisas desnecessárias, então, livre-se delas e viva feliz”.
Essa premissa lhe é tão verdadeira que até para carregar a foto da irmã (que ele mal vê) e do noivo (que ele nem conhece) dentro da mala, ele reclama.


“Quanto pesa sua vida? Imagine por um segundo que você está carregando uma mochila. Eu quero que você coloque nela todas as coisas que você tem na vida...” (Ryan)


Até que, juntam-se a ele no drama Nathalie (Anna Kendrick) e Alex (Vera Farmiga). A primeira é uma jovem ambiciosa, porém romântica e idealista, que ganha destaque na empresa de Ryan por montar um sistema de demissão via internet, sendo assim, não gastariam mais com tantas viagens... Já Alex é uma mulher linda, madura e bem resolvida. Ela conhece o personagem de Clooney em uma viagem e os dois se envolvem.
Ambas desempenham um importante papel dentro da reflexão do filme sobre as relações humanas. Relações essas que revelam-se como frágeis, efêmeras e frias.
“Ele terminou comigo por torpedo” (Natalie Keener)
“Uau. Isso é quase como ser demitido pela internet” (Ryan Bingham)


Prova clara é o trabalho bizarro de demitir pessoas que eles nem ao menos conhecem. Por um tempo, ainda no cinema, fiquei pensando na cena: um estranho entra na minha sala do trabalho e me chama para uma conversa, que termina em uma demissão. Depois ficou pior! Me imaginei ligando o computador e lá encontro uma mensagem via vídeo do tal estranho me demitindo. No mínimo acharia que era uma pegadinha e que o Sergio Malandro apareceria em breve.
Mas nada de comediantes aparecendo, apenas uma noticia ruim, que era talentosamente transformada em uma oportunidade através do discurso de Ryan, que convence qualquer um que uma mochila vazia de bens, responsabilidades e relacionamentos pode ser a melhor coisa para se carregar pela vida.
Mesmo sendo uma boa amiga dos momentos de solidão, eu não terminei o filme achando que a mala sem nada fosse algo interessante de se carregar. Na verdade, acho inútil.
E se eu tentar tirar da mochila um episódio do meu seriado favorito e minha melhor amiga para assistir comigo... mas não tem nada lá? Ou se eu quiser almoçar a comida caseira da minha mãe (que nem é tão boa cozinheira, mas, sabe como é né, é de mãe!), e procurar o cheirinho do arroz, mas não encontrar? E se eu quiser dormir abraçada com o amor da minha vida, mas o amor for pesado demais para carregar em duas alças de pano nas costas?
Uma mochila vazia é com certeza muito mais fácil de carregar que a cheia, mas quem disse que a vida está ai para ser fácil? Aliás, que graça ela teria se assim fosse?
E assim é Amor sem Escalas, um filme que se consagra ao te fazer sair do cinema em crise. Pensando sobre o que de desnecessário tem na sua mochila da vida, e o que tem de importante o suficiente para você agüentar o peso sem reclamar.
Adoro sair do cinema em crise! Pois essa é a magia do cinema.


“E eu achei que nosso relacionamento fosse perfeitamente claro. Você é um escape. Uma pausa das nossas vidas normais. Você é um parêntesis”
“Eu sou um parêntesis?” (Alex e Ryan)

E, para finalizar, os pós-modernistas solitários que me perdoem, mas “fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho...”. Não é mesmo, Tom?
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4 comentários:

  1. Quero muito assistir esse filme. Mais ainda agora, depois de ler seu texto. Também adoro uma crise pós-cinema e acho que malas vazias não tem absolutamente nada de interessante.
    E o poetinha sempre teve razão...É impossível ser feliz sozinho...
    Te amo
    Bjos

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  2. Pra mim a mensagem é que as mulheres modernas só querem nos usar. Como assim você não ligou para o que a Alex fez? Nem mencionou no texto, tipo "super normal".

    Esse negócio de "one night stand" é um lance exclusivo nosso, ok? Vocês não podem fazer isso com a gente.

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  3. Realmente, fiquei chocada com a Alex, mas mto bom saber que esse poder não pertence só aos homens mais! Aguenta essa, hein Beto! Rsrs

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  4. Gostei do filme, mas não passei por esse momento de crise. Enquanto os créditos subiam - e desde a primeira palestra do Ryan - eu pensava "mas que diabos este homem tá falando? Nada a ver ser sozinho!". Eu mesma assisti ao filme em um domingo a tarde, sozinha na minha casa, e daria um pedaço da minha lasanha por uma companhia. Sou romântica assumida (mas nem sempre fui..assumida) e a fala que mais concordei foi a da Natalie, quando ela diz que por mais que as mulheres tenham conquistado sua liberdade, por mais que elas estejam no mercado de trabalho e tenham uma carreira...pra ela nada faz sentido se não encontrar o cara certo. Pra mim também não! E tenho dito!

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